O Portugal duro dos pequenitos

Recebi um mail com um texto de alguém que lida diariamente com o sofrimento numa escola.

Porque vale a pena ler e porque ela me deu autorização para o publicar aqui fica:

O país em que vivo no dia a dia é uma país de tons de cinzento em que tentamos acrescentar algumas cores para alegrar a vida da criançada. A crise e os cortes cegos deste governo trouxeram muitas provações à população deste país, especialmente aquela que já se encontrava mais fragilizada.
Local suburbio deprimido da grande  Lisboa com uma população com  baixo nível de instrução vivendo em barracas ou em casa sociais, sendo que uma parte signifcativa dela provém das ex-colónias, mas estando a falar de uma segunda geração não terão eles tanto direito a serem portugueses quanto nós? Mães que saem de casa de manhã cedo para fazerem limpezas e tomarem conta dos filhos dos outros e regressam de noite a casa.Mal vêm os seus filhos, pois cuidam dos filhos dos outros. Faz tanto lembrar o livro as serviçais. Não será isto uma forma de escravidão dos dias modernos?
A segurança social teima em olhar para as pessoas como números, tudo se resume a uma folha de Excel, com x rendimento recebe com y já não recebe, mas há assistentes sociais a seguirem verdadeiramente cada caso?Não!.O papel desta entidade é na maioria das vezes feito pelas escolas. 
Os professores e funcionários sabem verdadeiramente os casos de alunos com fome, com dificuldades económicas em que não há dinheiro para aquisição de livros e bens essenciais. Num estado que é ausente e apenas envia montantes cada vez mais diminutos para a ação social escolar há que saudar o espírito solidário local. A pretexto do dia da alimentação faz-se recolha de alimentos para os alunos mais necessitados levarem um cabaz alimentar para casa. E dá gosto ver os alunos a colaborarem e empenharem-se na organização e na realização destes “eventos” (como se diz hoje em dia de forma snob), talvez porque saibam o que é viver com pouco. Sabem o valor de cada euro, pois muitas vezes apenas podem comer um pão com manteiga no intervalo da manhã, pois o pão com fiambre já fica muito caro para as suas bolsas. Sabem igualmente o mal que se come nas cantinas escolares, que o estado concessiona a privados sem controlar a qualidade porque adjudica pelo preço mais baixo, mas  para muitos será a única refeição quente do dia.
Como diretora de turma recebi uma mãe  um dia destes, ganhava 480 euros e vivia com a filha. Desse dinheiro tem que pagar renda,água,luz gás, passe e alimentação. Vá se lá saber porquê a segurança social decidiu que não tem direito ao ASE (ação social escolar) para a filha e a senhora humildemente pedia apenas que lhe dessem o passe social para a filha poder ir para a escola. Lá a  encaminhei para a nossa expert na escola sobre como lidar com a segurança social,,porque a mim apetecia-me ir falar com o ministro da segurança social e dizer-lhe uma série de coisas.Se ele sabia o que era viver com aquele montante? O que aquelas pessoas comeriam e como pagariam as suas contas? Que sociedade monstruosa estamos nós a criar? Isto dói! Não foi para isto que se lutou por liberdade e direitos sociais.
E quando penso que 1% da população mundial tem 50% da riqueza! Dá-me uma enorme revolta e pergunto-me até quando deixaremos que isto aconteça? Quando daremos o murro na mesa e diremos basta! 
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