Os cinquentinhas

Com a banca nacional a atravessar uma grave crise de liquidez e com a necessidade de investimento como de pão para a boca, a Lei que permite ao fisco vasculhar contas acima de cinquenta mil euros vem mesmo na altura perfeita. 

Isto para não falar no poder que a AT já tem e na forma arrogante, e sem controlo, com que o exerce.  

Marcelo esteve bem no veto.  Esta é uma lei estúpida e inoportuna.  

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A União Europeia transformou a Europa num bordel

Era um dia de Primavera de 1995. Atravessei de carro a ponte sobre o rio Minho, ao pé de Valença, em direcção à cidade galega de Tuy, e não aconteceu absolutamente nada. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida.

Eu estava habituado a entrar em Espanha depois de parar na fronteira, esperar numa bicha interminável de carros e camiões, mostrar o passaporte, responder a perguntas dos guardas e deixar o carro ser revistado antes de poder seguir caminho. E a travessia desta fronteira despertava sempre recordações de antes do 25 de Abril, onde a espera era ainda mais demorada, as perguntas mais agressivas, os polícias mais desagradáveis e as revistas mais rigorosas, principalmente para os jovens que tinham de apresentar os seus documentos militares em ordem e podiam estar a preparar-se para fugir à guerra colonial.

Foi por isso que atravessar a ponte e entrar em Espanha sem ver um único polícia, sem ver um posto de fronteira, sem mostrar um documento, foi uma experiência inesquecível.

Na altura eu era ainda um ingénuo adepto da União Europeia e aquilo era para mim a Europa. Não só a liberdade de circulação, mas a corporização da própria liberdade dos cidadãos, da confiança na sociedade, da cooperação e da solidariedade entre os estados.

Eu era então, como me considero ainda hoje, um europeu e um europeísta. Nascido entre dois países e duas línguas, educado entre quatro línguas, habituado a desconfiar de todos os nacionalismos, a ideia de uma Europa que transcende os seus países sempre me foi cara.

É por isso que, na próxima quinta-feira, quando conhecermos os resultados do referendo no Reino Unido, eu espero ardentemente que o resultado seja a vitória do “Brexit”.

Não porque penso que o Reino Unido vá ficar melhor fora da UE. Não porque pense que a UE vai ficar melhor sem o Reino Unido. Mas apenas porque espero que a saída do Reino Unido seja o choque que irá provocar o abalo político, o exame de consciência e o toque a rebate democrático de que a União Europeia precisa para se reformar de forma radical e para se reconstruir, num formato e com regras diferentes, sob o signo da decência. E não penso que isso seja possível sem uma vitória do “Brexit”.

O presidente do Parlamento Europeu, o socialista Martin Schulz, já disse: “Seja qual for o resultado [do referendo], teremos necessidade de uma reforma integral da União Europeia com regras claras.” Mas o problema é que já ouvimos dizer a mesma coisa noutras circunstâncias para tudo ficar na mesma. Ouvimo-lo dizer depois da guerra do Iraque, da crise financeira de 2008, da crise das dívidas soberanas, das políticas de austeridade, da crise dos refugiados. Mas sabemos que não podemos acreditar em nada do que sai da boca dos dirigentes da UE.

A questão é que a UE não é aquela associação entre iguais que nos venderam, empenhada no progresso de todos os países e no bem-estar de todos os cidadãos, no pleno emprego e na segurança dos trabalhadores, na paz mundial e na promoção da democracia.

A questão é que a UE é apenas uma máscara que disfarça o domínio de um grande grupo de países por um pequeno grupo de países, numa nova forma de ocupação que usa a finança como instrumento de submissão, como antes se usavam tanques.

A questão é que a UE é uma organização antidemocrática, que não só é governada por dirigentes não eleitos e não removíveis, da Comissão Europeia ao Banco Central Europeu, como construiu ardilosamente uma camisa de forças jurídica, sob a forma de tratados irreformáveis de facto, através da qual manieta e subjuga os Estados-membros e lhes impõe políticas que estes não escolheram, mas não podem recusar.

A questão é que a UE e as suas instituições se transformaram na tropa de choque do poder financeiro mundial e da ideologia neoliberal e, apesar das suas juras democráticas, impõem a agenda asfixiante da austeridade e proíbem de facto os países de prosseguir políticas nacionais progressistas mesmo quando elas são a escolha democrática dos seus povos.

A questão é que a UE, autoproclamado clube das democracias e dos direitos humanos, acolhe no seu seio sem um piscar de olhos países que desrespeitam os direitos mais básicos e adopta no plano internacional a Realpolitik de se submeter aos mais fortes, obedecer aos mais ricos e fechar os olhos aos desmandos dos mais agressivos.

A questão é que a UE perdeu o direito de reivindicar qualquer superioridade moral quando continuou a atirar refugiados para a morte mesmo depois de ter chorado lágrimas de crocodilo sobre a fotografia de uma criança afogada no Mediterrâneo. Hoje, tenho vergonha de pertencer a este clube e não gosto desse sentimento. Será isto isolacionismo? Pelo contrário. O que eu e muitos cidadãos europeus exigimos é a solidariedade entre países que a União se recusa a praticar.

Há pessoas pouco recomendáveis do lado do “Brexit”? Há. Mas do outro lado também. E na UE não faltam pessoas pouco recomendáveis, a começar pelo senhor Jean-Claude Juncker, símbolo da evasão fiscal e da imoralidade política.

A questão é que a União Europeia não é a Europa dos valores que sonhámos. A UE capturou essa Europa e transformou-a num bordel. O sonho transformou-se num pesadelo.

A questão é que a União Europeia se tornou o ninho da serpente e deve ser desmontada peça por peça. Espero que o referendo britânico possa ser o primeiro passo.

Vitor Malheiros no Publico

 

 

CDS/PP o partido dos velhinhos

O CDS mostrou-se estes dias muito preocupado com os idosos. De uma assentada 19 iniciativas legislativas visando a protecção da população idosa.

Faz sentido.

Depois de  4 anos a  a cortar nos apoios à população mais vulnerável lembraram-se agora dos que sofrem e pouco têm.

Hipócritas!

A amnésia de Passos, o Interesse Alheio, o Ensino Privado e o Direito de Escolha

Decididamente Passos Coelho tem um grave problema de memória e as efabulações que debita já roçam o delírio.

Fonte: A amnésia de Passos, o Interesse Alheio, o Ensino Privado e o Direito de Escolha – Jornal Tornado

Salários no topo cada vez mais desiguais

O mercado de trabalho mudou muito desde que Portugal aderiu à CEE. Primeiro Dia do Trabalhador foi comemorado há 42 anos

Nas últimas três décadas, as mulheres reforçaram a presença no mercado do trabalho e são hoje metade (49%) dos portugueses empregados. Esta evolução para a igualdade na “ocupação” dos empregos disponíveis não teve paralelo nas remunerações. Quando aceitam trabalhos pouco qualificados, eles e elas ganham praticamente o mesmo, mas nos cargos de topo ou altamente qualificados o caso muda de figura. Pior, em 30 anos, a disparidade aumentou, e muito.

Foquemo-nos em 1986. Por essa altura, praticantes e aprendizes (categoria a que pertencem os trabalhadores em lugares menos qualificados e de menor responsabilidade) ganhavam cerca de 2% menos do que colegas homens. Hoje, a diferença é de 5%. Mas quando se olha para o que sucedeu nos cargos de topo, os dados reunidos pela Pordata mostram que a diferença de remunerações entre uns e outras nos quadros superiores aumentou de 26% para 36% e nas profissões que exigem pessoas altamente qualificadas as mulheres ganham agora, em média, menos 19% do que os homens, contra uma diferença de 2% em 1986. “São diferenças assinaláveis e que nos devem fazer refletir”, diz Maria João Valente Rosa, diretora da Pordata, da Fundação Manuel dos Santos, que apresenta hoje um estudo sobre a população empregada em Portugal. E no período em análise assistiu-se ao reforço da qualificação das mulheres.

Diferenças salariais à parte, Portugal tem mais 260 mil pessoas empregadas do que quando aderiu à CEE, para um total de 4548 mil trabalhadores. Que retrato se poderia tirar daqui se a população a trabalhar fosse reduzida a cem pessoas? Os resultados revelam que neste tempo se reforçou o número de trabalhadores por conta de outrem (com patrão) e de funcionários públicos: seriam 11 em 1986, mas hoje são 15 naquela centena. O aumento do trabalho dependente foi acompanhado de mais precarização nos vínculos laborais e de horários reduzidos (a tempo parcial). No caso dos part times, diz Maria João Valente Rosa, houve uma duplicação (de 5% para 13%), sendo o crescimento entre os homens o mais expressivo, apesar dos nossos 13% estarem abaixo da média de 20% da UE. Outro sinal dos tempos e da evolução demográfica está na participação dos mais jovens (15 aos 24 anos) no mercado de trabalho. Há 30 anos, 19 daqueles cem trabalhadores estariam nessa faixa etária, hoje são cinco. Tendência justificada pelo envelhecimento da população, taxa de desemprego e adiamento da entrada na vida ativa, com o prolongamento de estudos – o que mostra a aposta na qualificação.

Esta aposta é o caminho certo, mas a responsável da Pordata não tem dúvidas de que tem de ser reforçada e que Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer. Os números ajudam a compreender: Portugal é o 6.º país da UE onde as pessoas trabalham mais horas (apenas na Grécia, Polónia, Malta, Letónia e Croácia a carga horária é mais musculada). Mas quando se olha para a tabela da produtividade, cai para a 20.º. Porque a quantidade não é sinónimo de qualidade, mas reflexo das baixas qualificações. Basta ver que 47% dos trabalhadores por conta de outrem têm apenas o 9.º ano (na UE são 17%) e que 58% dos empregadores não foram além desse nível de escolaridade.

Lucilia Tiago no DN

25/04

Abril de Abril

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas

Manuel Alegre

Obrigado!

O BE, a identidade de género e o ridiculo

O BE lembrou-se agora que o Cartão de Cidadão é sexista ja que “não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa”.

E o disparate em forma de projecto de resolução continua: “como documento principal de identificação, um documento cujo nome não cumpre as orientações de não discriminação, de promoção da igualdade entre homens e mulheres e de utilização de uma linguagem inclusiva”.

A promoção da igualdade entre homens e mulheres é um assunto demasiado serio para ser ridicularizado desta forma.

A este proposito, nao resisto a transcrever aqui um post que encontrei no FB:

Fui à Loja dos Seres Humanos Que Convivem em Sociedade, antiga Loja do Cidadão, para perguntar como posso tirar o novo Cartão da Pessoa Humana. Disseram-me que poderia ser num balcão ou na Internet no novo Portal Da Cidadania Unissexo. Perguntei também onde poderia obter informações para criar uma empresa e desde logo fui encaminhado para o Balcão dos Seres Adeptos do Empreendedorismo, antigo Balcão do Empreendedor. Agradeci. Ao chegar a casa deparei-me com um incêndio no meu prédio e desde logo tentei ligar para o número dos Bombeiros mas disseram-me que a linha tinha sido desactivada e que agora teria de ligar para o Departamento de Pessoas de Ambos os Dois Sexos que Apagam Fogos. Foi o que fiz. Vieram rápido e apagaram o fogo. Havia um ferido que não pode ser assistido porque chamaram os Paramédicos e ninguém atendeu. Os próprios bombeiros, aliás, Pessoas De Ambos os Dois Sexos que Apagam Fogos, não sabiam que agora teriam de chamar as Pessoas Especializadas em Paramedicina. Por sorte, ia a passar um senhor que já fez parte dos Licenciados em Medicina Sem Fronteiras e conseguiu ajudar. A vítima disse que ia processar o Estado e ligou logo para um escritório de Humanos que Exercem Advocacia. O advogado que atendeu disse para ele ligar para o Tribunal dos Direitos do Homem. Do Homem?! Enfim, vai haver sempre pessoas que vão continuar a discriminar as mulheres.

Pois…

Os limites de Socrates e a oportunidade de alguns

Henrique Monteiro numa cronica no Expresso, a proposito de algumas acusações de Socrates, afirmava:

A primeira declaração é que não faço a menor ideia se Sócrates é, ou não, culpado de qualquer coisa pela qual esteja acusado. A segunda é que não tenho ideia de que o nosso Ministério Público, por muitos erros que cometa, se sujeite a lógicas políticas. A terceira é que há um limite para a não reação do Estado (da ministra da Justiça, do Presidente da República, da própria Procuradora ou do Supremo Tribunal) a afirmações públicas com enorme gravidade

Tem toda a razão Henrique Monteiro.

Apenas é estranho que so agora demonstre tao grande indignação e que só a esta ministra se lembre de pedir uma reação. Ou talvez nao…

Sr Ministro cale-se!

Esta sexta em famalicao o Ministro da economia lembrou-se de apelar ao “civismo” da população da fronteira com Espanha, pedindo-lhe para que não abasteça os depósitos dos seus carros nos postos do país vizinho.

Sr Ministro aquilo que os portugueses poupam indo abastecer os carros a Espanha serve para, em muitos casos, por comida na mesa.

Neste caso apelar ao civismo de barriga cheia é facil, apelar a quem tem a barriga cheia faz sentido, mas faze-lo a quem vive mal é feio, muito feio, para nao dizer outra coisa Sr Ministro!