A estupidez não é de esquerda nem de direita

Socorro-me do Sérgio Godinho para constatar que, de facto, há dias de manhã em que um homem à tarde não pode sair à noite nem voltar de madrugada. Ontem, para o Bloco de Esquerda, foi um desses dias. O cartaz – parece que agora não passará de um post na internet – que pretende celebrar o fim da descriminação com a promulgação da lei da adoção é, não há outro modo de o classificar, uma estupidez a vários níveis. Desde logo porque reacende desnecessariamente uma discussão que estava arrumada, e bem arrumada, como ganho de civilização. O fim das barreiras à adoção com base na sexualidade dos adotantes é uma vitória e um marco na nossa evolução que deve ser festejado. O problema é quando se transforma a celebração legítima em ato gratuito de provocação e de pirraça mesquinha. E foi isso que fez o Bloco, entregou de bandeja aos talibãs da fé – sim, existem em todos os credos e religiões e, à exceção dos que se servem da violência, não há uns que sejam melhores do que os outros – o pretexto para se vitimizarem e se queixarem da intolerância religiosa de alguns. O que esta campanha infeliz, para dizer o mínimo, conseguiu foi reduzir um triunfo histórico a uma polémica de mata-frades. Ao fazê-lo desta maneira imbecil o Bloco de Esquerda não protegeu o essencial, o respeito devido a uma lei que tanto custou a aprovar e a conquistar. Mas revelou também uma terrível dose de ignorância. Daquilo que sabemos – e não falo de dogmas -, Jesus Cristo era filho de Maria – curiosamente o BE deixou que lhe escapasse o pé para o machismo na narrativa deste cartaz – e cresceu com a mãe e um pai adotivo, José o carpinteiro de Belém. Ora, bem vistas as coisas, a referência bíblica em jeito de piadola – e não, não defendo o respeitinho como modo de agir ou de pensar – nem sequer serve a causa. No limite, o que se terá passado há mais de dois mil anos foi o primeiro registo de uma coadoção, porém heterossexual, da história da humanidade. Aqui chegados, e Deus me livre de qualquer espécie de moralismo, só podemos concluir que pior do que não saber perder é não saber ganhar. Ao fazer uma espécie de manguito aos que se bateram contra esta lei, justa e necessária, o Bloco de Esquerda deu argumentos ao adversário e perdeu uma belíssima oportunidade para estar calado.

Nuno Saraiva no DN

Um tiro em cada pé

Alegria Breve

Chegadas ao fim de um percurso difícil e desafiante de eliminação progressiva na lei da desigualdade no tratamento dos cidadãos em função da sua orientação sexual, as forças e as organizações que fizeram essa luta têm razões para alegria. Mesmo contra a vontade de um Presidente anacrónico e que, de forma continuada, se manteve opositor desta agenda, a verdade é que em poucos anos se instituiu o casamento e a adopção por casais do mesmo género. A sociedade portuguesa estava finalmente receptiva a essa mudança: o tema mobilizou até o apoio de deputados à esquerda e à direita.

Entre os partidos, devemos reconhecer, foi o Bloco de Esquerda que serviu de refúgio ao movimento político LGBT, na senda de uma tradição política que pude verificar já existir no PSR antes da fundação do BE. Os anos 90 eram ainda muito fechados, com o PS guterrista surdo ao assunto e o…

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Cavaco Silva veta adoção por casais do mesmo sexo porque o superior interesse da criança é ter um pai e uma mãe acionistas da SLN

Cavaco Silva vetou a lei que permitia a adoção por casais do mesmo sexo porque, de acordo com o comunicado, o superior interesse da criança é ter uma mãe acionista da SLN e um pai acionista do BPN. Caso estas duas premissas não existam, a criança ficará sempre melhor entregue aos cuidados do Dias Loureiro.

Fonte: O inimigo publico

O testemunho emocionado de uma criança adoptada por dois homossexuais

Numa altura em que se debate em Portugal a possibilidade de uma criança ser adoptada por duas pessoas do mesmo sexo, vale a pena assistir a este video de uma criança que esta a ser criada por dois homens.

E esta é de facto a opinião que conta, a opinião de quem é criada por uma casal de homossexuais.

Este testemunho mostra também de uma forma brutal que o problema nao esta em quem adopta mas sim no preconceito e na maldade de quem critica este tipo de adopção. E sao também estas pessoas, que se mostram tao preocupadas com as crianças, que contribuem para que o seu desenvolvimento nao seja o melhor possível.

Pode ver o testemunho emocionado de Ana Karolina Lannes aqui