PSD, CDS e a democracia que nao sabem o que é

Pedro Marques Lopes no DN:

O que vários deputados do PSD e do CDS fizeram na Assembleia da República não foi nem menos nem mais do que uma falta de respeito pela própria instituição a que pertencem. Assistir a um deputado a dizer que há um primeiro-ministro não eleito é algo que só pode ter duas explicações: ou não sabe ao que concorre quando aceita ser candidato a deputado ou, sabendo, quer enganar as pessoas que o ouvem.

Já o que não é tolerável é um ex-primeiro-ministro e um ex-vice-primeiro-ministro fazerem as lamentáveis cenas de nem sequer se dirigirem a António Costa como primeiro-ministro ou fazerem piadinhas com vírgulas. Estadistas não insultam os mandatos dos deputados. E pessoas com as responsabilidades passadas e presentes de Passos Coelho e Paulo Portas não podem desrespeitar o Parlamento.

Esta espécie de estratégia de rapazinho a quem tiraram a bola não pode durar muito, claro está. Um partido como o PSD terá de ter uma oposição que mostre um caminho alternativo, mas ficará esta mancha dum tempo em que se mostrou não se saber lidar bem com as regras da democracia representativa, em que o partido não honrou o seu passado e deixou uma memória que pode sair-lhe cara no futuro.

Cronica na integra aqui

Anúncios

Ter ou nao ter Presidente

Regra geral ninguém passa cartão as eleições presidenciais. É um tipo que vamos eleger para festas e passeios pensa o bom do Portugues com a sua maneira de ser bonacheirona.

O comportamento de Cavaco nesta crise politica, bem demonstrado nestes posts do Aspirina B e Inépcia, mostra que nao é bem assim.

Por isso muito cuidado na escolha do proximo presidente…

Portugal pode esperar

O Presidente da República que não se mostrou disponível para ir às comemorações da implantação da República, porque tinha de reflectir sobre os resultados das eleições legislativas, vai hoje para a Madeira exactamente para isto:«Da lista das empresas a visitar por Cavaco Silva, estão algumas das que Passos Coelho viu em junho, quando esteve na Madeira. O Presidente irá passar pelo Centro Internacional de Negócios [off-shore], por uma tecnológica da Ribeira Brava e uma empresa de congelados de peixe.A visita começa (…) com a inauguração do Design Centre de Nini Andrade Silva, designer madeirense premiada. Ao programa do primeiro ministro, em junho, são acrescentadas visitas a um produtor de vinho da Madeira, ao projecto M-ITI, uma parceria da Universidade da Madeira e do Carnegie Melon Portugal, além de uma passagem pelo espaço onde irá nascer um novo hotel do Grupo Pestana, junto ao Porto do Funchal.»

Pescado aqui: Câmara Corporativa: O Governo pode esperar

A ignorância historica da JSD

A ideia era mostrar a indignação com o governo de esquerda, mas a escolha da imagem foi infeliz. O cartaz está a dar que falar nas redes sociais e já tem mais de duas mil partilhas no Facebook.

Fonte: O cartaz da JSD que está a causar polémica nas redes sociais | Económico

PCP: Quem tem medo do lobo mau?

Interessante artigo de Miguel Carvalho na Visão que pode ser lido na integra aqui.

O coro ouve-se à esquerda e à direita: o PCP não merece confiança e ameaça a estabilidade do País. Então por que razão ferrenhos anticomunistas andaram anos a dizer o contrário?

Testemunhas abonatórias

1 – “O PCP é muito respeitador, institucionalista Jerónimo de Sousa é um homem sincero, um homem autêntico, um político sério (…) Respeito o atual PCP 
e não o ponho no gueto”
Bagão Félix ao i, 2011

2 – “O PCP deu voz ao povo 
e permitiu melhorar 
a vida das pessoas”
D. Manuel Falcão, ex-bispo 
de Beja, 1999

3 – “Pela primeira vez na História, há muitas razões para um católico votar no PCP. Apesar de tudo, é o único que fala da vida real. O debate político entre os socialistas, o PSD e o PP é um debate virtual, onde se fala de coisas que não existem”
Padre João Seabra, 
do movimento Comunhão 
e Libertação, final dos anos 90

4 – “Não tenho qualquer problema em falar e jantar com os comunistas. Podemos mesmo ir a boîtes juntos, não me faz qualquer impressão”
Américo Amorim, em conversa com Maria Filomena Mónica

5 – “O PCP é um partido que sabe 
o que quer, sabe negociar e depois cumpre o que é negociado»
Luís Campos e Cunha, antigo ministro 
das Finanças

Que o PCP não contrarie a sua história

Daniel Oliveira no Expresso

Os sinais dados pelo PCP têm sido contraditórios. Não se trata do PCP, no processo negocial, expor as suas divergências e pedir cedências. São sinais de inconsequência e inconsistência na forma como se está neste processo. E isso é o pior de tudo. Transmite aos portugueses insegurança e fragiliza muito esta solução. Dá desculpas a Cavaco Silva para manter Passos em gestão. Jerónimo de Sousa ouviu nas ruas o mesmo que Catarina Martins e António Costa. Pensar que, depois do brutal embate político a que assistimos nas últimas semanas, o PCP não seria fortemente penalizado pelos seus próprios eleitores se de alguma forma fosse responsável pela frustração das esperanças criadas e pela continuação da direita no governo é passar um atestado de menoridade ao eleitorado comunista. O comportamento do Bloco de Esquerda neste processo, negando a imagem de ser, ao contrário do PCP, pouco confiável, criou um novo problema aos comunistas: o do BE se tornar mais atrativo para quem procure sinais sólidos de maturidade política. Seria demasiado absurdo que, na hora da verdade, os comunistas fugissem a uma história que foi marcada pela fiabilidade e consequência nos seus atos.

Fonte: Expresso | Que o PCP não contrarie a sua história

Fantasmas do passado

Artigo de Pedro Adao e Silva na TSF:

Numa notável conversa com a escritora Marilynne Robinson, publicada no New York Review of Books, o Presidente norte-americano sublinhava que a “América é famosa por ser “a-histórica”. Essa é uma das nossas forças – esquecemo-nos das coisas. Quando pensamos noutros países, continuam a debater argumentos com 400 anos, e com consequências sérias” (parte 1 e parte 2).

Claro está que Barack Obama está a referir-se a clivagens profundas em muitas sociedades, que se reproduzem ao longo do tempo, e que marcam de forma violenta o presente. Não é esse, claramente, o caso de Portugal.

Ainda assim, o ponto permite-nos olhar para o atual contexto político e em particular para os discursos proferidos na tomada de posse do novo Governo. De forma distinta, os principais protagonistas políticos portugueses encontram-se presos a fantasmas do passado, dos quais têm dificuldade em libertar-se.

Quando Passos Coelho, esta sexta-feira, sublinhava que “mesmo nestes tempos difíceis, praticámos o diálogo e o compromisso” e que “esse sentido do compromisso e da negociação será agora renovado e fortalecido”, as palavras chocam com a realidade e o passado é um espetro que fragiliza a promessa de Passos Coelho. Depois de quatro anos de postura adversativa, em que as pontes com os partidos da oposição foram quebradas (logo na primeira avaliação da aplicação do memorando de entendimento), o mesmo tendo acontecido com os parceiros sociais, é pouco ou nada credível que os próximos anos possam ser diferentes. É difícil acreditar que Passos Coelho será um primeiro-ministro diferente daquele que foi até agora.

António Costa tem, também, fantasmas do passado a persegui-lo, ainda que de natureza muito diferente. Num momento em que uma alternativa que ofereça estabilidade depende da capacidade de entendimento entre os partidos de esquerda, há dúvidas legítimas sobre a consistência desse entendimento. 40 anos de conflitualidade e uma quase-impossibilidade de comunicação à esquerda, não podem deixar de se projetar sobre o futuro. É possível acreditar que o diálogo à esquerda será diferente do que foi até aqui?

Poderíamos, a este propósito, ficar convencidos que o Presidente ainda em exercício não tem problemas com o seu passado. Nada de mais errado. Hoje, por exemplo, foi penoso ouvir Cavaco Silva a auto-citar-se para afirmar que “a ausência de um apoio maioritário no Parlamento não é, por si só, um elemento perturbador da governabilidade. A ausência de maioria não implica o adiamento das medidas que a situação do País reclama”. Estas palavras chocam com os sistemáticos apelos que Cavaco Silva fez no último par de anos em torno da necessidade de um governo com apoio maioritário (basta recordar acomunicação ao país de 22 de Julho, dia em que convocou as legislativas) e, pior, estão aí para mostrar que o país não aprendeu nada com o que se passou entre 2009 e 2011.

No fundo, para ultrapassarmos o bloqueio político em que nos encontramos, de uma forma ou outra, temos de aprender com o exemplo norte-americano. O desafio dos próximos tempos é tornarmo-nos “a-históricos” e aprendermos, coletivamente, a esquecer os fantasmas do passado. Quem o fizer com maior mestria e de forma mais convicente, assumirá a liderança política do país.

Fonte: TSF

Um presidente para quê?

Pedro Bacelar de Vasconcelos hoje no JN:

“Mais graves, porém, são as justificações invocadas pelo Presidente da República para proceder por forma tão fútil e caprichosa. Não só porque ignora que a Constituição que jurou o obriga a “ter em conta” os resultados eleitorais e aquilo que os partidos políticos oportunamente lhe transmitiram mas, sobretudo, porque as suas considerações prolixas sobre a natureza e o papel de certos partidos com representação parlamentar não excluem liminarmente a possibilidade de interpretações frontalmente incompatíveis com a Constituição e violadoras dos mais elementares princípios democráticos. Nem os cidadãos eleitores nem os seus representantes eleitos podem ser divididos por classes ou hierarquizados por quaisquer critérios, ao sabor dos gostos e preferências do Presidente. Não há votos de protesto, por oposição a votos para governar. Não há votos de primeira e votos de segunda. Não há partidos fadados para a governação e partidos banidos das responsabilidades de Governo.”

Todo o artigo aqui

A tradição acima da democracia

Daniel Oliveira no Expresso:

Os deputados do PS tinham o dever de votar no candidato do PSD e não, como fizeram, no candidato do seu próprio partido. Estranho, não é? Como mostrei, não há uma tradição que exija que o Presidente da Assembleia da República seja do partido com mais deputados. Mas mesmo que fosse uma tradição, seria errada. Seria simular uma eleição para fazer uma nomeação. O que a direita exige é que, perante a novidade de PCP e BE terem decidido passar a participar no jogo do poder, devemos ignorar a verdade dos votos e a ela sobrepor a “tradição”. É ilegítimo que os representantes de um milhão de portugueses participem em soluções de poder. Há uma minoria de deputados que considera um golpe de Estado haver partidos que a eles se opõem e não lhes oferecem a maioria que não tiveram nas urnas. É até inaceitável que deputados votem, para presidir ao Parlamento, no candidato do seu partido. E a todo este absurdo, incompreensível na generalidade das democracias parlamentares, chamam de tradição

Fonte: Expresso | A tradição acima da democracia