O problema demográfico português

Vivemos dias estranhos em que não sabemos para onde vamos. Se calhar ao longo dos anos várias gerações pensaram exatamente o mesmo. Em Portugal temos do ponto de vista demográfico dois graves problemas e, com consequências socioeconómicas que serão a breve trecho catastróficas.

Por um lado, temos uma taxa de natalidade muito baixa que tarda em não reverter a tendência. Para que se renove a população portuguesa, precisamos de um índice de fecundidade mais elevado e de um índice de renovação de gerações de 2,1 ou seja muitos casais terem mais que 2 filhos. Sabe-se que não é isso que se passa, há variadas explicações para que tal não aconteça, algumas são:

  1. Desinvestimento total em políticas natalistas (que são politicas que visam fomentar o aumento da natalidade) por parte de sucessivos governos. Como por exemplo, o corte nos abonos de família, a longa jornada de trabalho e muito sobrecarregada para a mulher. Poucas medidas de incentivo ao trabalho a tempo parcial, para conjugar mais facilmente o trabalho com a vida familiar.

  2. Cultura empresarial que não quer ver a vida da empresa interrompida por sucessivas licenças de maternidade. Por vezes, há mesmo despedimento ou a não renovação de contratos de trabalho quando a mulher engravida. Noutros casos há uma enorme pressão para que a mulher dê maior importância à sua carreira profissional do que à vida familiar. Há aqui uma clara falta de visão empresarial a médio e a longo prazo, por parte de quem gere as empresas. 0s nossos custos de hoje serão os clientes de amanhã.

  3. A crise económica que tem tido efeitos devastadores no tecido social da sociedade portuguesa, leva a que casais tenham menos filhos. O receio do amanhã, a instabilidade de emprego e o desemprego que se vive não permite fazer planos a longo prazo. Opta-se por um criar um filho melhor do que cair na incerteza se se é capaz de sustentar uma família mais numerosa.

  4. Falta de qualidade de vida e de bem-estar da população em geral. Vê se pelos estudos internacionais, como este último da OCDE em que mostra os portugueses como os mais tristes desta instituição. Quem quererá alargar família quando se sente infeliz, preocupado e inseguro quanto ao que o rodeia?

Por outro lado, temos o envelhecimento da população portuguesa que pela melhoria das condições alimentares e de saúde aumentou a esperança média de vida situando-se acima dos 80 anos para as mulheres. Sabemos que os idosos são pouco empreendedores, por razões óbvias com o avançar dos anos temos menos propensão para arriscar. A grande maioria vive com pequenas pensões em situações de pobreza mais ou menos envergonhada. Também é esta população a que vive uma situação limite, por vezes completamente sós. Para além do Estado, aqui como sociedade temos que ter um papel mais ativo. Temos que voltar a promover o papel da família alargada, os avós são fonte de enriquecimento de conhecimento para os netos. Os que não têm família serem apoiados por voluntariado com gente que quer ajudar, que quer estar presente e não fazer caridade social porque é de bom tom.

Temos que nos deixar de lutas em que os reformados são um fardo para a sociedade. A memória não pode ser curta, nem podemos ser bestas …eles ajudaram a construir a sociedade em que vivemos. Cumpriram a sua obrigação enquanto pais, professores, médicos, pedreiros…e nós temos de cumprir a nossa, vamos tratá-los com toda a dignidade que merecem. Há tanto a aprender com eles.

Não deixo de pensar senão revertermos tudo isto até quando haverá portugueses? Apoquenta pensar que a médio prazo seremos uma nação em vias de extinção.

Manuela Almeida

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CDS/PP o partido dos velhinhos

O CDS mostrou-se estes dias muito preocupado com os idosos. De uma assentada 19 iniciativas legislativas visando a protecção da população idosa.

Faz sentido.

Depois de  4 anos a  a cortar nos apoios à população mais vulnerável lembraram-se agora dos que sofrem e pouco têm.

Hipócritas!

Retrato da pobreza em Portugal

População idosa voltou a registar um aumento do risco de pobreza pelo segundo ano consecutivo. Nas crianças houve uma ligeira diminuição. Dos desempregados, 42% estão em risco de pobreza.

Alguns números do INE: “40,7% das pessoas vivem em agregados sem capacidade para assegurar o pagamento imediato, sem recorrer a empréstimo, de uma despesa inesperada próxima” do valor mensal da linha de pobreza, 422 euros (42,2% em 2014); “23,8% das pessoas vivem em agregados sem capacidade para manter a casa adequadamente aquecida (28,3% em 2014)”; ou “10,1% das pessoas vivem em agregados sem capacidade para pagar atempadamente rendas, encargos ou despesas correntes (12,0% em 2014).

Quando, no início do ano, o INE divulgou os números sobre o aumento da pobreza em 2013, que se mantém agora ao mesmo nível, Pedro Passos Coelho, então primeiro-ministro, interpretou-os como um retrato do passado.

Fonte: Público