Marcelo, o único com obra feita: ele próprio

Em novembro, Cavaco Silva foi à Madeira e, como era sua obrigação de hóspede, foi simpático: “Vocês têm uma banana maior e mais saborosa.” Cavaco, apesar da lenda, erra muito: a banana madeirense é conhecida por não ser grande. Na semana passada, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a campanha pelo Funchal, aproveitou para levar a conversa para bananas e disse, matreiro: “A da Madeira é mais pequena e mais saborosa.” Um jornal, logo a seguir ao episódio, sentenciou: “De política falou-se pouco.” Tolice. Marcelo não faz outra coisa. Há dias, cruzou-se com o autocolante “Marcelo é fixe!” e, embora mostrando-se surpreso (e, se calhar, estava), Marcelo não deixou de dizer para os distraídos: “Foi na campanha de Mário Soares que apareceu um autocolante assim, não foi?” Política, Marcelo não faz outra coisa. Por estar convicto de que tem a direita segura, faz piscares de olho à esquerda. Apesar de Passos ter apelado ao voto nele, Marcelo insistiu, ontem: o governo Costa é para quatro anos… Cata-vento? Hoje, mais parece uma estátua firme, voltada para uma data: o próximo domingo. Essa coerência ninguém lha tira. Aliás, nestas presidenciais, ele é o único que tem obra feita: ele próprio, o candidato Marcelo. O resto, amadores. Quanto a ele, esta proeza: correligionários que votam nele com dúvidas e adversários que não veem nele um mal maior. Um pouco de mal com os seus, para ganhar um pouco de bem dos outros…

Ferreira Fernandes no DN

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